Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

Trapos de Bonecada




Trapos e criatividade unem-se para concretizar fantasias!

Nos dias complicados de hoje, em vez de se comprar uma nova boneca, porque não comprar um novo vestido, um pijama, uma camisola, o que for!

É esta simplicidade que a “Trapos de Bonecada” (ideia de um familiar) se propõe fazer, de forma simples e barata.
Nenhum trapo vai por isso para o lixo, porque se não quiser comprar uma das peças criativas sugeridas, pode perfeitamente enviar aqueles panos velhos já perto do caixote do lixo, que a Trapos de Bonecada transformará com ou sem a sua ideia, uma nova fantasia que fará certamente a alegria da sua filha.

Os rapazes não estão excluídos, é só enviar a vossa ideia porque essas até ver são de graça!

É para o menino e pra menina!

Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011

CicloVIDA Montemor o Novo


O sangue é um tecido conjuntivo líquido que circula pelo sistema vascular sanguíneo dos animais vertebrados. O sangue é produzido na  Medula óssea vermelha e tem como função a manutenção da vida do organismo por meio do transporte de nutrientes, toxinas (metabólitos), oxigénio e gás carbônico. O sangue é constituído por diversos tipos de células, que constituem a parte "sólida" do sangue. Estas células estão imersas em uma parte líquida chamada plasma. As células são classificadas em Leucócitos (ou Glóbulos Brancos), que são células de defesa; eritrócitos(glóbulos vermelhos ou hemácias), responsáveis pelo transporte de oxigénio; e plaquetas (factores de coagulação sanguínea).
Podemos encontrar os mesmos componentes básicos do sangue em anfíbios, répteis, aves e mamíferos (entre eles, o ser humano).
Fonte: Wikipedia

Sangue do meu sangue

Aceitar um desafio do Manuel Batista para mais uma transfusão de oxigénio nesse fenomenal hospital que é a natureza, é sinónimo de ser literalmente anestesiado por uma chuva de gotas pequenas mas de precisão e amplitude corporal inigualável.
É sina nos passeios organizados pelo Manel!
Bem cedo começou a manhã e que cedo, a caminho de Montemor o Novo, sendo o ponto de encontro a antiga, destruída mas catita estação CP, não sou de intrigas mas o Manel deve ter cota na CP, pois... é sina nos passeios organizados pelo Manel!
Estranho só ter encontrado uma única ponte, mais estranho ainda, não apresentava qualquer tipo de dano, quem diria!
Hospitalidade das famílias Batista e Marques, como sempre impecável,  bolinho e  Favaios à nossa espera, o Favaios para quem não sabe (e queira acreditar), produz um efeito de enorme impermeabilidade, não há gota de água que entre dentro do nosso corpo.
Tempo para colocar a conversa em dia, enquanto uns, o meu caso, preparam os pezinhos para 10km  de caminhada, outros preparam as biclas para o trajecto de 26km (ida e volta), apesar do tempo algo agreste, este não retira o menor pixel natural da beleza singular das paisagens alentejanas, bem como dos seus tradicionais animais.
trajecto faz se sobretudo por sobreiros centenários, oliveiras (carregadas de azeitonas), algumas romãzeiras protegidas por extensas silvas, que para muita pena nossa por esta altura já não nos oferece o seu fantástico fruto silvestre.
Falando em fruto, aquele que do nosso sangue nasce, hoje foi a estreia da minha filha no mundo “duro” e belo das duas rodas, sem as outras duas de apoio, não, não se trata do Pai e da Mãe, nós equilibramos a sua vida e não a bicicleta, estou é claro a referir me às duas rodinhas que apoiam as primeiras pedaladas, que como qualquer apoio nos dão conforto e segurança, mas chega sempre o momento de as colocar de lado e isso aconteceu há apenas duas semanas.
Começou timidamente, como todos nós quando se trata de dar o primeiro passo, mas rapidamente eliminou o seu receio e partiu firmemente para aquela que foi a sua grande primeira aventura, devorando com respeito a natureza.
Circulou como o sangue circula, por entre curvas e rectas, de alto a baixo de uma natureza corporal única e sempre com a presença de um protector, o meu caro Joaquim Lopes que durante os 13km assegurou a sua defesa, fazendo inveja ao mais aplicado glóbulo branco.
Aproveitando a dica do Manuel Batista e do Pedro Costa, é mais que merecido que dedique este simples texto à minha Princesa, pois senti um tremendo orgulho pela sua perseverança e acima de tudo por ter eliminado uma toxina de seu nome medo!
Esperava nos impaciente e sorridente, danadinha para nos contar a sua aventura com a forma bela, pura e cativante de qualquer criança, à entrada de uma casa antiga, tipicamente alentejana, de tons vermelhos e brancos, rasgada apenas na sua essência por uma parreira de kiwis e não das tradicionais e mais que esperadas uvas, envolvida por uma paisagem que sem darmos conta nos absorve e nos faz perder o maior ponto de referência geográfica.
Tomámos de assalto esta casa, onde o café restaurante aparecem de forma “oportunista”, percorremos todas as divisões, fomos os empregados de mesa, em duas vagas de refeições, pois a sua proprietária jamais esperaria receber 31 almas famintas, todo este movimento circulatório se revelava simples, tudo como se fosse na nossa própria casa, culminando com o acender da lareira e o relaxar num desejado sofá.
Dado o descanso ao corpo, chegou a hora de partir e de trocar a custo, as colunas de árvores, pelas colunas de cimento que no dia a dia nos dificulta o respirar, trocar as rudimentares estradas municipais pela selva de asfalto dos centros urbanos, que limitam durante a semana o transporte dos nutrientes mais desejados, natureza e amizade!
Quando e onde é o próximo desafio?

Sangue Verde

Foi há muito tempo que dei de caras com este tipo de sangue, bem sei que se trata de um efeito remanescente nos seres humanos, provocado pelo próprio sistema circulatório, não mais que isso.
Mas este sangue verde é bem real e está presente num homem que conheci há muito tempo numa acção de formação em Linda a Velha, através da empresa, formação com cariz nutricional que também obviamente alertava as pessoas para seguirem uma vida saudável e evitar todas aquelas coisas que nos são prejudiciais, a nós animais racionais, mamíferos, embora ontem, pelas condições climatéricas me tenha sentido um verdadeiro anfíbio!
Essas coisas saudáveis como já referi acima e para que fique claro que estive atento na formação, são o Favaios e a aguardente de Cabo Verde que atestei logo pelas 9h15.
Nessa acção de formação, a uma determinada altura há um sujeito que de forma veemente afirma que somos na nossa larga maioria uma cambada de preguiçosos, em particular ao fim de semana e aproveitava aquele momento para nos desafiar para uma caminhada em Sintra logo pela fresca!
Eu pensei “este homem está com o sangue marado”, só pode! Não está claramente a receber oxigénio na mona!
Ontem, foi esse homem que nos fez colocar os pés na terra às 6h da matina, num feriado, que nos fez sentir anfíbios, que me fez (aqui é mentira) beber, ou melhor, degustar o Favaios e a aguardente, vá lá, portou se bem desta vez e não nos deu pontes velhas, nem 21 km de linha férrea, nem silvas, nem morcegos!
Com ironia digo que esse homem tem de facto o sangue estragado, desde a sua origem, no seu caso não nasce da medula óssea mas sim num simples e qualquer portal da net, o seu sangue não transporte nutrientes mas sim coordenadas de geocachingtrajectos de ciclovias e os mais belos lugares escondidos deste rectângulo fantástico.
O seu sangue não é vermelho, nem uma gota, mas sim verde, da natureza, do puro, da esperança que cada vez mais pessoas lhe vão seguir os passos e que vão perceber que cada vez mais este é o nosso momento para mudarmos algo, para agir, este é o momento TIMEARTH.

Dedicado à minha filha Ju Nunes e ao amigo Manuel Batista!


HRT Paulo Nunes

Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010

Sintra - 1º Encontro Comemoração HRT's

recordação


s. f.1. Acto!Ato ou efeito de recordar.


2. Memória, lembrança; mimo; presente.


3. Objecto!Objeto que faz relembrar.

recordar - Conjugar

v. tr.1. Fazer vir à memória; lembrar.

v. intr.2. Ant. Acordar.

v. pron.3. Lembrar-se.



Será aqui? Foi a pergunta que deixei no dia 5.

Foi... Um sábado perfeito, na companhia de gente boa, de diferentes faixas etárias, que se unem no prazer de caminhar, conhecer, encontrar, de conversar.

De facto, Sintra foi o destino marcado para o primeiro encontro a quem denominados de “Comemoração dos HRT’s” (estas siglas são segredo ;-)).

Desta vez o destino foi perto, mas marcante, como sempre, ainda para mais fomos recebidos por e na “casa” da Família Batista, a Serra de Sintra.

Foi um passeio com uma excelente organização (mais uma) do Manel e Mira, que nos dá todo o conforto e segurança, desta vez sem pontes nem túneis (já sinto falta delas!).

Bem perto das 10h deixámos as nossas latas andantes em plena Serra, protegidas por árvores de enorme porte, apenas menores perante o nosso desejo de caminhar em pleno Património Mundial, para grande parte dos presentes, com o desejo de reter novas paisagens, novas formas da mãe natureza, no fundo, novos trilhos que se transformam no escape ideal do rebuliço semanal.

Em poucos metros a primeira paragem para a primeira Cache do dia, não fosse este grupo constituído maioritariamente por Geocachers, eu desconfio que para lá rapidamente caminho.

Scooby Doo o seu nome, encontrada rapidamente pela nossa Jovem Linha da Frente (os filhotes), foram eles que “abriram o caminho” nesta caminhada e muitas vezes por nós esperaram, não que estejamos em má forma, muito longe disso :-), esta lentidão deve-se apenas ao prazer de coordenarmos os passos com palavras e mais palavras, nada como conversar, dos projectos que cada um tem, do passado, do que se fazia com tão pouco, de quando por exemplo, não se tinha carro, telemóvel, ou um simples gps para nos orientar.




Tudo aquilo que as gerações com mais idade (não velhas) passam de boca em boca, às gerações mais novas, incluindo a minha, as suas experiências de uma viva bem vivida sem muitos dos caprichos e comodidades dos dias de hoje, bem sei no entanto o quanto são bons, mas certo é, que vivemos sem tudo isso.

Lembrou-me o Joaquim Lopes, de como era uma ida ás praias da Costa de Caparica, de autocarro, barco e a pé até ao destino final, pois carro próprio nem vê-lo.

E como bom era, caminhar em grupo, com música bem alta projectada pelos “tijolos” da altura bem firmes ao ombro, como se seguia para um dia inteiro de praia, reservando o regresso mesmo ao final do dia, quando o pôr do sol “manchava” as águas do Tejo.

Seguimos a estes dois compassos, passos e palavras, em terra batida ocupada de forma massiva por cascalho que nos fazem patinar, num trajecto irregular como se quer, mais ou menos denso, com vegetação de maior ou menor dimensão, mas com uma paisagem absolutamente fantástica, onde gigantescos pedregulhos se destacam bem alto de forma imponente.

Ao longe, bem longe a civilização que cintila em inúmeros pedaços de vidro, dos carros ou prédios que a devoram, enquanto a serra por nós e por inúmeros BTTistas é cruzada e respeitada.

“Encosta à esquerda”, gritámos nós vezes sem conta sempre que os BTTistas se aproximavam, bem disse o Jorge Marques que eles tinham de ter cuidado pois éramos um grupo de Búfalos tresmalhados, pois mal os BTTistas passavam, rapidamente ocupávamos o trilho para continuar a conversar, o Jorge tinha razão!

Chegados ao topo do referido trilho, alcançamos uma vista absolutamente arrepiante, ampla, colorida de fazer inveja ao mais brilhante arco íris, esquecendo a civilização de betão, podemos contemplar as fantásticas praias, a floresta que nos aguardava após o almoço, o Farol do Cabo da Roca e algumas aldeias, lugares que respeitosamente se inserem neste contexto natural.


É hora de tirar a sacola das costas e o farnel. Tudo se divide, melhor, o António Augusto veio carregado de iguarias e água de Borba para todos, algo parecido com groselha, na cor, apenas uma falha, Café!

Nem parece malta essencialmente que trabalha tal bem precioso, ai nós, ai nós!

Com uma imagem 360º única e bela, desfrutamos a comidinha e claro, gargalhadas!

Antes da partida da Peninha, tempo para mais uma cache, algo arriscada, numa encosta em pedra, parte do Castelo da Peninha, com direito a claque e tudo, é claro que, a referida Linha Jovem esteve presente, destemidos e sedentos de mais um Log.


Feita a cache, partimos em direcção ao mar, na companhia de um sol fantástico que nos acompanhou e aqueceu durante todo o dia, até entrarmos na parte mais cerrada do nosso passeio, um cenário deslumbrante de vegetação, de sons emitidos por uma natureza diria que imaculada.


No final do trilho, um parque divinal, um empate entre árvores de largo e alto porte e pedras gigantes, um perfeito cenário de Hollywood ao jeito do Filme Robin dos Bosques, qual Floresta de Sherwood qual quê.

Aguardava-nos a Mira e os mais novos elementos do Grupo, e claro, miminhos…

Rodeados já de uma neblina, da humidade natural da serra, fomos aconchegados por um belo Licor Beirão e bolinhos, “iluminados” por uma luz de inimitável beleza, uma vela.


Desconfio que comemos demais, e caminhamos de menos :-)

Mas as paragens sempre foram curtas, nova cache no alvo do gps, desta vez, prometia bastante ao chegar ao local, mas infelizmente alguém resolveu retirá-la, restou-nos quebrar a neblina que cada vez mais se fazia sentir no corpo e que só foi amenizada um pouco mais tarde pela paragem para o lanche, onde nos aguardavam umas maravilhosas bolas de Berlim e torradas.

Mais comida?!

Alguém perguntou, “e até ao jantar, o que fazemos”, bem, esta descrição do passeio está-se a transformar não numa caminhada mas sim num HungryPaper, certo é, que o dia, ou melhor, já noite, viria a terminar na parte mais intensa e emocionante da caminhada, pois implicava encontrar uma cache em plena Serra, de noite, com algum nevoeiro e chuva por vezes à mistura, mas lá fomos nós, não fossemos HRT'S!

De lanternas em punho até ao ponto intermédio, nem mais nem menos uma antiga Mina de Água, estreita e reinada por aranhas, lançando ao abrir a porta um cheiro a mofo que não avizinhava boa coisa, mas lá caminhamos agachados até ao ponto mencionado, encontrada a caixa, foi tempo para umas fotos e de rumar até à cache final, numa outra mina, com as mesmas características. 


Feita a última cache do dia, era tempo de.... sim, é verdade, mais comidinha!!

Uma refeição extremamente saborosa, bem regada (boa escolha Manel!) e com uma surpresa final sem dúvida fabulosa.

Ao cair do pano, a Família Lopes, pela voz do Miguel, diz-nos que há uma surpresa, uma espécie de Óscar, um prémio para todos os HRT's.

Ao desembrulhar, e que original embrulho, observámos tratar-se de um pedaço de memória colectiva, um símbolo da nossa inconsciência mas perfeito, de um dia de emoções confusas e eternas, da recordação de uma respiração forte e de passos no fundo destemidos, da união perfeita entre a beleza natural e a humana.

Joaquim e Carolina, julgo que o sentimento de todos é unânime... Deixaram-nos comovidos, provocaram lágrimas, porque não nos deram uma peça metálica, mas sim, uma peça das nossas vidas.

Muito Obrigado.



Agradecimentos também especiais:

Manel e Mira, fantásticos, como sempre!!

D. Maria Emília, pelos miminhos enviados, excelentes!



Participantes:

Ana Cristina Viana

André Costa

António Augusto Duarte

Carolina Lopes

Cristina Baptista Costa

Fátima Lanternas

Filipa Costa

Joana Batista

Joana Nunes

João Batista

Joaquim Lopes

Jorge Marques

José Viana

Mafalda Marques

Manuel Batista

Miguel Lopes

Mira Batista

Natércia Marques

Paulo Nunes

Pedro Costa

Rafael Viana

Sandra Gouveia


Deixo-vos também algumas... curiosidades que encontrei na net!

http://palacio-de-sintra.blogspot.com/2010/06/lenda-da-peninha-em-duas-versoes-curtas.html


Quando é a próxima caminhada?

Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010

Será aqui?


Terça-feira, 5 de Outubro de 2010

Rota dos Túneis, Barca d'Alva - La Fregeneda


A memória é a capacidade de adquirir (aquisição), armazenar (consolidação) e recuperar (evocar) informações disponíveis, seja internamente, no cérebro (memória biológica), seja externamente, em dispositivos artificiais (memória artificial).

A memória focaliza coisas específicas, requer grande quantidade de energia mental e deteriora-se com a idade. É um processo que conecta pedaços de memória e conhecimentos a fim de gerar novas ideias, ajudando a tomar decisões diárias.
Psicólogos distinguem dois tipos de memória declarativa, a memória episódica e a memória semântica. São instâncias da memória episódica as lembranças de acontecimentos específicos. São instâncias da memória semântica as lembranças de aspectos gerais.

Memória, segundo diversos estudiosos, é a base do conhecimento. Como tal, deve ser trabalhada e estimulada. É através dela que damos significado ao quotidiano e acumulamos experiências para utilizar durante a vida.

Fonte: Wikipedia


Memórias de um dia fenomenal...

Como se fosse hoje, recordo-me do dia em que o Manuel Batista me mostrou umas fotos da sua última caminhada na companhia da sua mulher, Mira, algures em terras do Douro, tendo como cenário uma abandonada linha férrea.
Senti ao ver aquelas fotos, uma clara sensação magnética, como que em milésimos de segundo tenha decidido querer fazer aquele trajecto sem nada saber do mesmo, obstáculos, dificuldades, nada de nada, fiquei rendido à beleza das imagens e à dimensão do desafio.
E assim nasceu “A Caminhada”, só possível com a liderança do Manuel, devido à sua experiência e conhecimento da referida linha.

Lisboa 2 de Outubro, a meio de uma tarde marcada por alguma confusão de trânsito em direcção a Norte por ocasião do primeiro dos dois concertos dos U2 em Coimbra, deixámos a capital rumo a Barca d'Alva, à nossa espera estavam mais do que colegas do dia-a-dia, amigos que positivamente responderam ao convite feito.
Uma viagem a dois, longa onde o cansaço natural da distância é combatido com palavras, música e a beleza de muitas paisagens ao longo da A23, as condições climatéricas são excelentes para a altura do ano, fazendo prever que nos acompanhará no dia seguinte, dando sem dúvida um maior conforto e segurança para o que nos esperava (estávamos bem enganados), isto do pouco que sabíamos, em resumo, tudo corria sobre rodas.
As mesmas rodas que ao entrar na estrada Nacional nos permite desfrutar bem mais perto, os aromas das terras do Douro, as suas gentes de pele enrugada e sábia, que tranquilamente se senta à porta de casa e observam quem passa, gerem desta forma alguma solidão e o tempo, de um dia que se aproxima da frieza humana de mais uma noite.

A paisagem torna-se mais sóbria, sombras delineadas por montes e vales, bem como de pequenas árvores recentemente plantadas pois as suas antecessoras foram criminosamente destruídas estou certo, e por pedras de dimensão e robustez consideráveis.
Os vales são subtilmente cortados pelo Rio Águeda, que como uma serpente marca a sua passagem.
“Chegada ao destino”... Berra o gps, é tempo de colocar as malas no quarto, um espaço simples, humilde mas mais que suficiente para um descanso que se viria a tornar rápido.
É tempo de recuperar calorias e viver o sabor da amizade, acompanhado de umas belas costeletas para uns e bacalhau para outros, humedecidos ligeiramente diria, pelo vinho da terra nos seus dois tons e claro, cervejola.
Vivemos ao jantar, de uma excelente boa disposição, atirámos uma belas gargalhadas resultado dos cenários diversos idealizados por cada um de como seria o dia seguinte.
A refeição terminou com alguns "ENO's" servidos em cálices, produto da terra, suave que escorregava deliciosamente, a malta de Barca d'Alva denomina-os de bagaço, enfim, pormenores, certo é, que nos fez descontrair e relaxar de mais de 4 horas de viagem e 400 e tal kms feitos.
Hora de dormir, pois o galo cantará às 7h da matina, hora do padeiro e de mais de uma dezena de loucos se equiparem e tomaram o pequeno-almoço.

Em linha...

Pouco passava das 7h40 quando nos fazemos à linha, literalmente.
Primeira imagem marcante é para mim a da Estação Ferroviária de Barca d'Alva, um símbolo de azafama de outrora, abandonada, de edifícios que acolheram certamente milhares de rostos, as mais modernas locomotivas da altura, local estou certo de movimento de pessoas e mercadorias que cruzavam terras do Douro, terras de Portugal e Espanha em busca do seu ganha pão, pelo que li, é esta a história desta linha férrea, deste marco de engenharia entre Barca d'Alva e La Fregeneda, as trocas comerciais.
Numa das linhas da estação, conforme caminhamos, vamos ficando de certa forma "cercados", à direita por duas plataformas gigantescas construídas em Madeira, lindíssimas, madeiras essas agora totalmente escuras, tipo wengé, à esquerda, rompendo o duro chão, uma estrutura metálica em forma de círculo, com o objectivo (digo eu) de encaminhar para cada um dos 3 abrigos existentes no edifício à sua frente as respectivas locomotivas e também, certamente para prestar manutenção.


Aqui começo a gravar as minhas primeiras memórias de um dia simplesmente marcante.
Rapidamente chegámos à primeira ponte, sobre o Rio Águeda que será um dos nossos companheiros de caminhada, rasgando um vale lindíssimo, parte dele por nós trilhado.
Não há dificuldade, a ponte apresenta-se em bom estado, apenas a sua altura perante as águas do Águeda nos fazem pensar duas vezes em olhar para baixo, é tempo das primeiras fotos e também, no final desta ponte, do primeiro dos 20 túneis que vamos passar.
O ambiente entre nós é fantástico, muito boa disposição, brincadeira, diria que é o “caminhar alegres”, por entre uma linha que no início ainda não apresentava uma vegetação densa, mas sim, o normal ónus de 25 anos de abandonado, pedras de razoável porte no centro da linha, resultado de derrocadas provocadas pelo mau tempo e ausência de manutenção, um cenário que iríamos encontrar ao longo de todo o troço, umas vezes mais denso e dominado por silvas.
Bem depressa chegamos à segunda ponte e o primeiro desafio, pois esta já se apresenta deteriorada nos seus dois corredores laterais (locais de passagem pedonal), bem como pelo centro que poderia ser uma boa opção, mas de pontes, pouco mais há a dizer, pois sabíamos previamente que das 13 existentes, 2 eram consideradas pelo Manuel as mais, bem mais complicadas de atravessar, de nível extremo e isto foi um facto.
Foi uma prova bem sucedida, com todos os cuidados superámos esta ponte, apesar das adversidades encontradas.
As restantes 11 eram muito semelhantes, diferente o seu risco é certo, pois umas se pela questão das alturas que tinham do solo causavam calafrios, outras pela considerável extensão, outras também pelos corredores laterais cuja madeira estava ainda bem mais apodrecida e requeria total concentração ao andar e onde colocar os pezinhos, ou, como se não bastasse, os varões existentes, quando existiam, apenas nos permitia obter equilíbrio, mas não um ponto seguro de apoio a que pudéssemos encostar o corpo sequer para descansar (já parece uma linguagem tipo bar de alterne).
As duas pontes mais temidas e que de certa forma inicialmente incomodavam a minha tranquilidade, são as denominadas Puente Arroyo del Lugar e Puente de Pollo Valente, estas são sem dúvida alguma o grande marco de engenharia de todo o trajecto e acima de tudo os maiores sinónimos de perigo extremo.

No topo dos seus 60 metros de altura, com 300 metros de comprimento, surge ao nosso olhar após uma ligeira curva invadida de mato, o primeiro grande desafio no que, ao enfrentar o medo diz respeito.
Ao chegar à ponte e já com ameaça de chuva para além de algum vento que se fazia sentir, constatamos que apenas uma passagem lateral estava disponível, pois a outra tem restos de tábuas que faziam parte do corredor existente, podres ou em pedaços, não sendo de todo aconselhável a sua passagem, no outro lado, a travessia é possível através de um estreito corredor de chapa com cerca de 40cm de largura, já algo molhada e “perfurada” a todo o comprimento por parafusos gigantescos de união à estrutura, conferindo-lhe um relevo de altos e baixos.
Confesso que aqui, antes de iniciar a travessia na companhia da minha mulher, do Manuel e da Mira, respirei bem fundo tendo os metros iniciais sido percorridos com alguma ansiedade. Já tinha testado nesta caminhada na ponte anterior a passagem desta forma, na qual cometi o erro de olhar para o solo, e digo-vos, a sensação de desconforto, insegurança é indescritível e em segundos se apodera de nós parecendo que nos bloqueia de todo, e nesse momento, parei, olhei bem alto, respirei e continuei em frente, superei esse receio.
Não era portanto esta ponte, por mais extensa que fosse, que iria derrubar a minha coragem e diminuir a minha determinação, demorasse 2 minutos ou 2 horas, iria atravessá-la.


Puente Arroyo del Lugar

E assim foi, radiantes, eu e todos os outros, já no fim da ponte, nos reunimos e partilhámos todas as emoções todos os sentimentos pelo corpo e mente accionados antes e durante a travessia da Puente Arroyo del Lugar.
É tempo de tirar (mais) fotos, sente-se a alegria de termos superado tal obstáculo, principalmente todos os que sentiam receio, medo perante tal façanha.

Segue-se um ligeiro mas importante snack, é vital reabastecermos o corpo, pois estávamos quase a chegar a metade dos kms da caminhada, mas as facilidades só mesmo nos últimos 100 metros da mesma, pois após termos superado a Puente Arroyo del Lugar, seguia-se logo a segunda ponte temida, Puente de Pollo Valente.
Esta ponte é de uma construção maravilhosa, curvada, construída a meio de dois cones montanhosos cujos dois extremos da ponte assentam na saída, à face de dois túneis, tendo como pano de fundo uma paisagem simplesmente maravilhosa.
Em termos de travessia é feita de forma bastante semelhante à Puente Arroyo del Lugar, foi no entanto feita com condições climatéricas (cada vez mais) adversas, chuva algo forte e três rajadas de vento consideráveis fizeram-me parar a meio da mesma.
 
Puente de Pollo Valente

Esta ponte tem a vantagem de se poder transitar pelos dois corredores laterais, optámos no entanto pelo mais “”seguro””, já que num deles, devido à curva existente na própria ponte, a estrutura do corredor exterior tem uma abertura com cerca de 70cm entre os pilares metálicos o que nos obriga a dar uma valente passada.
Após mais uma conquista realizada, respirámos de certa forma de alívio, tínhamos superado diria que os dois principais e mais perigosos obstáculos, juntos, unidos, solidários, transmitimos certamente uma alegria aos nossos incansáveis guias, Manuel e Mira, que tanto apoio e palavras de incentivo nos deram.
Em resumo, somos uns grandes malucos.
Mas nem só de pontes degradadas, muito perigosas foi feita esta caminhada, houve tempo para o Miguel Lopes, o José Viana e o Jorge Marques deixar de forma vincada a sua marca em mais uma cache, não fossem eles fiéis seguidores do Geocaching, cache essa colocada num ponto deslumbrante do nosso trajecto a que poucos Geocachers ainda não tiveram a oportunidade de visitar e assinar, os três ficaram a fazer parte de um grupo bem restrito de presenças nesta cache .

Para além de tudo o que já foi escrito até aqui... Enfrentámos ainda vinte túneis, muitos bem manhosos, cheios de truques no solo, ausência de pedras nos corredores laterais que davam origem a buracos, da extensão enorme de alguns, colocando-nos na mais profunda e perfeita escuridão, de onde apenas irrompiam sons de alerta entre andorinhas num caso e nos restantes de morcegos às dezenas, que faziam os seus voos rasantes sobre as nossas preciosas tolas.
No apelidado pelo Manuel como Túnel dos Morcegos, a meio deste os excrementos de morcego eram em tão grande quantidade que cobriam por completo a linha férrea, fazendo com que não sentíssemos sequer a mais pequena pedra ou pedaço de ferro, apenas merdume, tentámos caminhar o mais depressa possível pois obviamente o cheiro era simplesmente abissal, ficámos deste modo a pensar o quanto mal deve o Batman cheirar.
Como se não bastasse, juntemos umas ossadas perdidas pelo meio da linha, talvez trazida por lobos ou raposas que ali habitam e que bem no escuro devoram as suas presas, deixando apenas os ossitos que ao nos aproximarmos com as nossas lanternas, mais pareciam fraquíssimos neons brancos.


Puente de Poyo Rubio
A caminhada continua em direcção às últimas pontes, aos últimos túneis, deu para tudo, para contemplar a beleza natural, para vermos dois gamos que cruzaram o nosso caminho, de ver uma pequena cobra que rapidamente se escondeu nas pedras da linha, de degustarmos figos bravo, deu inclusive para os Geocachers deixarem a sua marca numa cache, mas acima de tudo, de colocarmos à prova as nossas capacidade físicas e mentais (aqui tenho dúvidas :D).

Fim de linha...

O último túnel tem 1.600 metros em linha recta, é altura de reunirmos, comermos mais um snack e preparar as pernas para o fim desta caminhada que já se aproxima a ponteiros largos das 7 horas realizadas.
Partimos tendo como orientação a luz no fundo do túnel, é sem dúvida uma frase feita, mas este túnel conforme fomos caminhando, dava-nos a sensação de ele próprio estar a acrescentar mais uns metros, interminável mais parecia, fomos no entanto acompanhados uma vez mais por morcegos às dezenas que teimavam em deixar na nossa memória os seus inconfundíveis sons.
Chegámos, no final do túnel encontra-se mais um vestígio de mau tempo, um tronco atravessado na linha como se estivesse a delinear o espaço para perfilarmos para uma derradeira foto de grupo.
Conservado num cartão de memória mais uma imagem, rumámos à Estação de La Fregeneda, em fila, como se um comboio fossemos, um só, unidos, de peito feito não tivéssemos percorrido (e alcançado) mais de 17 km de obstáculos naturais, 20 túneis, 13 pontes, 1 cache, e acima de tudo, alguns de nós percorrido (e derrotado) os nossos receios, medos e posto à prova a nossa coragem e determinação.

Conseguimos! Juntos. Ninguém faz nada sozinho!

À nossa espera estava uma guarda de honra, a Joana, o João, o Joaquim e a Carolina Lopes, acompanhados por um muitíssimo saboroso bolo de chocolate e um licor Beirão, hidratação, nunca esquecer a hidratação.
Reunidos num antigo e em ruínas edifício da estação de La Frenegeda, brindámos a um feito que todos considerámos como magnífico e que, fará para sempre parte das nossas memórias.

13 Amigos
17 Km de linha férrea
7 Horas de caminhada
20 Túneis
13 Pontes
Coragem
Determinação
União
e uma, muito ligeira dose de insanidade...

Eis os (muito loucos) participantes:
  • Ana Cristina Viana
  • Cristina Baptista Costa
  • Fátima Lanternas
  • Mira Batista
  • Natércia Marques
  • Sandra Gouveia
  • António Augusto Duarte
  • Jorge Marques
  • José Viana
  • Manuel Batista
  • Miguel Lopes
  • Paulo Nunes
  • Pedro Costa

Manuel e Mira, nunca é demais dizer-vos... MUITO OBRIGADO! 

Um agradecimento também muito especial ao Joaquim e Carolina Lopes, Joana e João Batista, pelo precioso apoio e calor humano demonstrado nesta louca aventura.

Deixo-vos ao jeito de dedicatória, uma frase:

"se não tiver a coragem de perder a margem de vista, nunca poderá atravessar o oceano"
(Cristovão Colombo)

Abraço.

Ver:

Barca d'Alva

Linha Férrea Internacional Barca d'Alva > La Fergeneda

Vídeo travessia Ponte Pollo Valente
(este vídeo foi retirado do youtube, não é de minha autoria)

Onde Ficar:

Pensão Bago d'Ouro
Largo Das Faias,29
6440-071 Barca D'alva
(Figueira De Castelo Rodrigo / Douro Internacional), Portugal
+351 271 355 000
 
Coordenadas:
  • 41º01'38.62"" N
  • 6º56 '26.69"" O

Sábado, 13 de Março de 2010

Concentração Motard de Faro Got Hard ;-)



Gotthard....
Diria que deve ser certamente um nome completamente desconhecido para os Portugueses, menos para aqueles seres estranhos como eu que colocam os seus ouvidos à disposição de bandas não famosas, desconhecidas... mas quem são esses tipos coloca-se a questão? Gotthard, banda Made In Switzerland, pois esta terra nem só de chocolates, bancos maravilhosos e relógios é feita.
É a pátria de uma talentosa banda Hard Rock com 18 anos de carreira, e garanto-vos, como imensa qualidade.
Acho que a escolha da Organização do Moto Clube de Faro é no mínimo excelente, já o foi no passado ano ao trazer os suecos Europe, que entretanto foram perdendo as cabeleiras loiras bem compridas e  foram ganhando um som mais "maduro" e menos comercial, em resumo, melhor!
O Moto Clube de Faro, grandiosa e exemplar organização, e eu não tenho mota (já sei, faço mal) portanto sou imparcial, com esta escolha torna-se ainda mais um símbolo da divulgação musical, um reminder de bandas que preenchem as nossas melhores recordações, neste caso a sua escolha revela um excelente e diferenciador gosto pelo "desconhecido".
Eu lá estarei, sem mota, mas a atestar umas bujecas e a assistir certamente a mais um grande concerto em terras Algarvias, nos domínios do Universo das 2 rodas.

A todos aqueles que já estão a fazer planos para estarem presentes neste marcante evento, podem ter a certeza que vão gostar desta banda!

Aqui ficam os links habituais, a história desta banda Suiça e 6 vídeos para abrir o apetite, neste caso e numa linguagem de motociclista.... 6 perfeitos "cavalinhos"!!
  

Sites Oficiais Gotthard e Moto Clube Faro

Wikipedia


Sábado, 6 de Março de 2010

Finalmente em LX... John Waite

Destino: Cinema São Jorge....

Noite algo fria e mais uma brindada pela chuva, apanágio deste inverno único diria na última década.
Quinta-feira numa Lisboa que se prepara para receber mais uma voz, um cantor único, uma referência (para mim) das décadas de 80/90, que persiste e resiste até aos dias de hoje.
John Waite, ex. vocalista de duas bandas, The Babys e Bad English, tem também uma carreira a solo, uma vida longa e pautada por grandes músicas, quase sempre escritas por momentos sentidos na sua própria vida e vividos nos 4 cantos deste confuso e desarrumado mundo.
Vinco uma vez mais o meu saudosismo através deste texto da onda musical dos anos 80/90, onde aos poucos e poucos vou juntando peças num puzzle cuja imagem final será a dos cantores/bandas algumas vezes aqui mencionados, faço destes momentos privilégios, assumo-os como uma etapa (dura pela espera) conquistada, um prémio de montanha o qual consigo alcançar através da oportunidade de ver e ouvir estes cantores ímpares ao vivo.
Este foi considerado como um espectáculo intimista, eram apenas cerca de 800 pessoas numa histórica sala de cinema da cidade, convertida num espaço musical muito provavelmente pensada também para aqueles nomes que já foram sonantes, que já tocaram em salas, pavilhões, estádios repletos de milhares de pessoas pelo mundo fora e que agora, uma ou duas décadas passadas, por necessidade (€) ou por sentirem ainda a paixão bem viva em cantar, marcam a sua presença em espaços mais pequenos, porque verdade seja dita, se maior fosse não teria mais pessoas.
Mas marcam presença neste ""tipo"" de concertos aqueles que pacientemente esperam por estes cantores consagrados, que os valorizam pela excelente música produzida e pelo facto por mim mais valorizado, o de continuar a actuar, como disse, a resistir no mundo musical e transformar o desejo de muitos fans em realidade.
Por este motivo, por ter estado neste concerto, mais um para guardar no meu "disco rígido", é que me considero um ser estranho e penso que sou tão velho como fan como eles como artistas.
Para terminar, uma nota especial aos músicos que acompanharam o John Waite, não memorizei os seus nomes, apenas as suas interpretações, em particular do baterista americano do Alabama, simplesmente poderoso, e a de um guitarrista de origem hispânica que foi simplesmente magníficio!
Quanto ao John Waite, a caminho do carro, confortado com quase duas horas de excelente concerto, comentei com a minha mulher que dá gosto como espectador de ver alguém continuar a cantar com paixão, concordámos também que com a sua actuação projectou sentimentos e emoções que o restante público português presente também certamente sentiu, não descarregou as músicas, cantou-as no compasso do seu coração, o que nos deixou com a alma preenchida.
Vou-me mantendo atento e paciente, com as peças do referido puzzle nas mãos, à espera de colocar brevemente mais uma, e de quem será? Não sei, mas estarei certamente presente nesse concerto.

Página oficial do John Waite no MySpace e info Wikipedia
http://www.myspace.com/johnwaite
http://pt.wikipedia.org/wiki/John_waiteLinks
Links com alguns vídeos disponivéis no YouTube deste concerto de LX, optei por não colocar os meus vídeos manhosos gravados pelo não menos manhoso telemóvel. 
Até breve!

Sábado, 16 de Janeiro de 2010

Top Gun - Berlin, Tira-me o fôlego

Estou a caminhar a passos largos para a velhice, desconfio seriamente que o meu mundo é regulado por um relógio avariado, onde os ponteiros devem parece um velocímetro a alta velocidade sem máximo definido.

Andando eu ligado à nostalgia dos anos 80, se é que alguma vez me desliguei por completo, lembrei há pouco de ouvir/ver um vídeo cuja música, uma balada, marcou mais que um filme, marcou sim uma geração de jovens, a minha geração.

De imediato, parei no tempo, ou melhor, viajei no mesmo e fui transportado para o Liceu Josefa de Óbidos, num abrir e fechar de olhos passei a estar na parte coberta do pátio dessa que foi durante anos a minha escola secundária, estou a olhar directamente para duas raparigas, uma com um dossier forrado com uma fotografia do Tom Cruise em cima de uma bela mota, ou seja, uma das imagens retiradas de uma qualquer revista alusiva ao filme Top Gun, a outra rapariga abraça com paixão um disco de vinil, nem mais nem menos que a banda sonora do filme.

Cerca de vinte e três anos depois, recordo-me deste momento com perfeição ao ouvir um tema que fez suspirar e arfar tantos casais de namorados, e é mesmo de ar, ou falta dele que este tema fala, Take My Breath Away, dos Berlin, agora o que não sabia é que a voz feminina desta banda de seu nome Terri Nunn ainda canta, ou seja, esta banda está em actividade o que não deixa de ser algo extraordinário e quer se goste ou não do filme (eu gosto), cantar, manter viva, fazer ainda ouvir a sua voz com este tema é algo que deve ser valorizado.

Nem todos os rapazes se tornaram pilotos aviadores, nem tiveram aquela bela mota, mas certamente que tiveram aos seus braços ou no seu coração uma loira, uma morena, alguém do qual se vão recordar para sempre com esta canção.

Aqui deixo o vídeo, datado de 2009, a senhora de uma (ainda) bela voz com uma canção/balada fantástica.

Bom domingo.



Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Wonderland

Ao visitante anónimo que me solicitou informação sobre os Wonderland, peço que deixe sff o seu mail, de forma a o conseguir contactar.

Cump.

Domingo, 20 de Dezembro de 2009

Miguel Gameiro, A Porta ao Lado

Dá-me um abraço....
Nome do primeiro tema do primeiro álbum de Miguel Gameiro sem o seu Pólo Norte, mas com outros pólos de interesse cativador.
Para mim (e certamente para a maior parte das pessoas) este tema será muito mais que sons, que uma frase feita, é uma frase perfeita para quem ama, quem sente amizade, é um gesto único, quente, é um quebrar de barreiras, de espaços próprios propositadamente limitados, que se transformam num único espaço onde a solidão é rejeitada, são sentimentos que se misturam e unem numa receita saborosa preparada entre braços, que como ramos nos protegem, nos dão segurança, conforto, aconchego.
Nas partidas assume-se como o gesto mais recordado e ao lembrar, decorridos dias, meses, anos, parece que o estamos de novo a sentir, a sua força, a sua mudez, o seu fim.
Ao ouvir pela primeira vez este tema, em milésimos de segundo me lembrei dos abraços que o meu Pai meu dava, em particular os seus últimos, quando já consumido pela doença e vendo aproximar o seu fim, fazia desse gesto, de cada um deles a sua despedida, recordo-os e ainda hoje os sinto, da mesma forma, com o mesmo gosto.
Estou certo, acredito que este projecto do Miguel será brilhante, ele coloca tudo o que sente e é em palavras de forma irrepreensível.
Para mim, "A Porta ao Lado", é para além do nome do álbum, uma entrada para um corredor cuja luz do conforto, de emoções, da lembrança do que mais gostamos está à nossa espera, ao fundo para nos acolher como se fosse um "simples" abraço.
Podem ouvir este tema através do MySpace:
Aproveitem e vão acompanhando a evolução deste trabalho:
De que forma mais poderia terminar esta mensagem...
Abracem-se, boa semana.

Hard Rock Still Lives

E terminara mais um dia de trabalho, sempre de um lado para o outro dentro de 4 paredes, sem pontos cardeais programados, apenas na altura processos mecanizados, estava exausto e ainda faltava mais umas horas ligadas à aprendizagem... escola em regime nocturno, quando a cabeça não têm juízo...
Sempre a correr, era sair do trabalho, "voar" até casa, comer qualquer coisa e ir para a escola breves minutos depois, todas estas deslocações ao belo compasso acelerado dos pézinhos, pelas ruas de Campolide, ruas essas cheias de gente não fosse hora de ponta, hora de regresso a algo que as pessoas demonstravam, ser furiosamente desejado.

Eu lá seguia armado com o precioso amigo e companheiro dos 30m de trajecto... o Walkman.

Era o meu bem precioso, o tal, o mais que tudo, em particular depois de terminadas as aulas, pelas 23h10, aí sim, o silêncio começava a tomar conta das ruas já despidas praticamente de almas e embora mantendo o mesmo nível de volume, as músicas ganhavam outra amplitude, mas era também o momento de colocar de lado a cassete e colocar isso sim à disposição da rádio, os meus ouvidos.

Era para mim a rádio do momento, NRJ, Nova Rádio Jovem, não aconselhável a maiores de 25 anos, era assim o slogan se não me falha a memória, nesse horário passavam músicas essencialmente do segmento hard-rock, Bad English, Eddie Money, Damn Yankees, Whitesnake, Van Halen, Bad Company, Def Leppard, Micth Malloy, Firehouse, Stage Dolls, Alice Cooper, Aldo Nova, GUN, D.A.D, Mr.Big, Cheap Trick, Thunder, The Storm, Danger Danger, e tantas outras que em segundos escreveria.

Aqui o tal compasso tornava-se mais lento, o trajecto definido era alterado por outras ruas da freguesia, o relógio deixava de ter significado, eu mandava no tempo, as luzes dos sinais de trânsito servia no meu imaginário como umas comuns luzes de espéctaculo à mistura com as luzes dos carros, transportavam-me para um imaginário musical, todas essas luzes pareciam flashes que me envolviam e pareciam querer que eu fizesse parte de algo, um álbum best of andante, nem sei explicar!

Sei que, aguardava principalmente pelo sábado à noite para rumar ao Bairro Alto e encontrar o meu ponto de descanso, Bar Tacão, um pequeno bar situado numa pequena rua perto do pequeno Miradouro de São Pedro de Alcântara, um grande bar para começar a noite, muitas vezes era o princípio o meio e o fim.

Aqui podia ouvir temas de muitas das bandas que citei, aqui podia desabafar os meus problemas diários e típicos da juventude da altura, aqui relaxava, era o lugar que encaixava de forma perfeita no meu imperfeito ser, que saudades...

Recordo-me que desejava ter a oportunidade de ver algumas destas bandas, mas a informação das mesmas eram escassas e Portugal ainda não era no início da década de 90 um local de passagem das mesmas.

Foi preciso esperar muitos, muitos, mesmo muitos anos para concretizar esse desejo, e isso aconteceu no passado dia 6 de Novembro, desta vez não houve nada que impedisse, pois já tinha perdido um concerto dos D.A.D e um dos GUN, mas desta vez disse, nem que a dita cuja tussa, nem que chova punhais, assim pensei e assim fiz, acompanhei a par e passo via mãzinha (net) as datas dos concertos destas duas bandas que aos poucos eram publicadas (para não falar de outras) e foi com imensa alegria que vi os concertos de Portugal publicados, maior foi a alegria por saber que as ia ver logo no mesmo concerto.

O Campo Pequeno recebeu a geração dos trintões, a geração dos que essencialmente nasceram na década de 70 e assistiu-se a uma noite do mais puro hard-rock.
Opinião em formato resumido...
Gostei dos Alcoolémia apesar de o som não ter sido o melhor, dos GUN confesso que fiquei algo desiludido, continuo a achar que o novo vocalista (ex Little Angels) não encaixa, bem como o novo baterista, talvez seja defeito meu, mas fui habituado a ver e ouvir a voz do Mark Rankin, será sempre para mim a voz dos GUN, fui habituado a ver um excêntrico baterista de nome Scott Shields e para mim isso fez-me falta, não senti os GUN como a banda que nasceu e se mantêm no meu imaginário, som poderoso, letras fantásticas, esperava muito mais.

Muito mais me deram os D.A.D, no final do seu concerto e já no exterior do recinto perguntei "que raio se passou lá dentro?"... que concerto! Fenomenal e electrizante espectáculo dado por estes senhores dinamarqueses. Brutal!

Foi o grande momento da noite, um concerto que fica guardado e vincado na minha memória.

Termino com dois vídeos dessa noite bem e links com a história de cada uma das bandas, para quem não sabe (duvido) quem são.
D.A.D (Disneyland After Dark)

Site Oficial: http://www.d-a-d.dk/

Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/D-A-D


GUN,

Site Oficial: http://www.gunofficial.co.uk/news/

Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Gun_(band)

Abraço